sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A atenção à educação alimentar de seu filho: tarefa que começa cedo!

A atenção à educação alimentar de seu filho: tarefa que começa cedo!

Desde o primeiro contato mãe e filho, a alimentação é uma das maiores preocupações que permeiam as relações familiares entre os dois. O seio que busca nutrir vai muito além desta função. É símbolo importante para estreitar o vínculo afetivo. Traz como fundo musical o pulsar ritmado e conhecido do coração materno, relembrando a segurança do útero.
Durante a amamentação o bebê é envolvido pela temperatura, aroma, voz e principalmente pelo olhar da mãe, seu primeiro espelho e sua janela para o mundo. Começa aí a relação deste novo ser com o ato de se alimentar, de trazer para dentro de si o que é importante para seu desenvolvimento global.
As influências sociais, culturais e religiosas estão estritamente ligadas à formação dos hábitos alimentares. Se a primeira infância era, anteriormente, um período em que o filtro familiar permeava de maneira direta o que incidia sobre a criança, a realidade atual nos tornou vulneráveis a outros fatores.
Os veículos de comunicação lançam informações de forma direta e encontram mentes ávidas por estímulos visuais, auditivos e gustativos. Seria inocência pensar que “nosso pequeno” permanece totalmente passivo neste processo. Muito mais rápido do que pensamos, ele capta estas informações, reconhece as logomarcas das cadeias de lanchonete, identifica seus ídolos estampados nos rótulos dos produtos, faz escolhas e influencia os hábitos familiares.
Nesta altura de seu progresso perceptivo, a criança já se tornou apta a sentir o impacto que a quantidade e a qualidade do alimento absorvido provoca em seus cuidadores. Valendo-se muitas vezes deste argumento para atrair as atenções, manipular os adultos e exercer um comportamento obstinado que faça prevalecer o seu desejo, é neste período que muitos dos distúrbios alimentares infantis podem ter início. Mas quando a informação é demasiada e estamos totalmente envolvidos afetivamente, como é o caso das relações parentais, todo cuidado é pouco. Devemos nos precaver para que uma questão comportamental não seja confundida com um diagnóstico bem mais severo.
Afinal não é tão fácil assim crescer, abandonar a fase do egocentrismo, deixar o seio e enfrentar a realidade de que nem tudo que desejamos poderemos ter. “A rapadura é doce, mas não é mole não...” É nesta hora que o choro pode vir, voraz, com todo o corpo, levando muitas vezes ao reflexo de vômito...
Nas visitas regulares ao pediatra os pais devem, pois, relatar detalhadamente estes comportamentos. Assim, além dos exames e das informações pertinentes, quando necessário, poderão receber encaminhamento para uma orientação psicológica, mesmo que profilática.  Muitos dos termos ligados às perturbações alimentares, que predominavam sua incidência na adolescência ou no início da idade adulta, já podem ser encontrados como diagnóstico infantil.
 É o caso da Bulimia. Caracterizada pela ingestão episódica, descontrolada e rápida de grandes quantidades de alimento durante um curto período de tempo, seguida por auto-indução de vômito, este comportamento traz sentimentos de culpa, depressão e auto-aversão. O prejuízo para a saúde, nos casos crônicos, e a comorbidade com outras patologias, pode levar ao óbito.
Para os pais realmente imbuídos no processo de educar, imbuídos do desejo de passar para seus filhos o melhor de si, cada dia é mais tranqüilo se  buscarem ajuda profissional, quando necessário. No caso dos distúrbios alimentares, podem e devem ser consultados médicos das especialidades pertinentes, psicólogo, nutricionista e educador físico, que orientarão toda a família. Educar é a maior tarefa dos pais, a mais prazerosa e sem dúvida a mais difícil, uma vez que passa por um processo de autoconhecimento e aprimoramento pessoal. Afinal nossos filhos estão quase sempre abertos para ouvir nossos ensinamentos, mas totalmente prontos para repetir nossos comportamentos.

Simone Presotti Tibúrcio.
Psicóloga.
CRP 04 8052.