Falar em aflição é falar em sofrimento, que, por sua vez, nos remete à dor. Dentre os vários tipos de dores, a pior será sempre aquela que eu sinto. Exatamente como nos diz o ditado – “cada um sabe onde seu calo aperta”. Trata-se, portanto, de identificar o local que dói para que a devida providência seja tomada e o sofrimento cesse. Felizmente muitos infortúnios são resolvidos dessa forma. Tudo parece então relativamente simples, mera relação de causa e efeito, ou seja, para cada sintoma localizável um tratamento eficaz.
Entretanto, por sorte ou azar nosso, nem sempre é bem assim que as coisas acontecem. Às vezes, até mesmo uma dor de barriga pode representar mais que uma indisposição intestinal, pode ter várias causas, algumas, inclusive, completamente estranhas para nós.
Realidade dura e cruel essa que faz com que nos deparemos com um invasor desconhecido, causando maus tratos ao corpo e a mente, onde antes tudo parecia estar sob controle.
A dor persiste, mas sua fonte já não é mais claramente definida, às vezes surge uma sensação de fragilidade ou mesmo de impotência diante dela. Uma perda de autonomia incômoda que sufoca a própria capacidade de independência. Rouba-nos aos poucos um espaço cada vez maior, tomando conta dos momentos de vigília e mais tarde até do sono. Uma espécie de dor que pode ser meio confusa, espalhada, ousada, mas principalmente, extremamente doída. Ela pode ter vários motivos, pode ser por um luto, por uma perda qualquer, por um inconformismo, por uma luta ferrenha, por um grande ideal frustrado, por uma decepção aparentemente irreversível, por uma falta de rumo, por um desamor, por um vazio imenso, por estar tudo ruim e até, por incrível que nos pareça, por estar tudo bom demais há muito tempo.
Enfim, as causas podem vir de diversas origens e normalmente não estão sozinhas numa única pessoa. Elas habitualmente andam em bandos, porque fazem parte da história de cada um de nós. As histórias são extensas e precisam de tempo para ser contadas, especialmente, quando a dor paralisa o prosseguimento delas.
O sofrimento quando é muito, pode nos cegar e nos fazer pensar que não há mais saída. É importante que saibamos que esse tipo de pensamento é uma das principais artimanhas da dor e que embora desconheçamos exatamente de que mal sofremos ou que mal está nos afligindo, há pessoa que podem nos ajudar, quando não conseguimos caminhar sozinhos com firmeza.
Não há demérito em pedir auxílio e aceitá-la pelo tempo necessário. Sejamos mais flexíveis, menos auto-exigentes, para que possamos nos permitir melhores oportunidades.
Ana Paula G. Margaritini
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